Todos juntos somos tão bem-vindos e fortes!
° Cativo cultivando comigo. (O interno)
° Cativo cultivando contigo. (O próximo)
° Cativo cultivando convosco. (O coletivo)
"Os sonhos mantêm a nossa história aberta. Não há razão para apressar o ritmo da vida; o que é seu exige o tempo certo para florescer. Cada luta e cada recomeço não são desvios, mas a própria construção do seu triunfo. Diante do inesperado, mude a rota, mas nunca a fé. Recomece. Que nosso dia seja de boas construções para grandes vitórias!" - Elisaldo Guerreiro
Estimado irmão poeta Elisaldo,
Li a sua linda e profunda mensagem e, de repente, surgiram reflexões. Eis que filosofamos juntos! A sua sensibilidade despertou em mim algumas conexões sobre a arte de receber o inesperado e a beleza do recomeço. Inspirada pelas suas palavras, deixo fluir esta reflexão que compartilho:
Existe um paradoxo lindo na frase de O Tao do I-Ching: "Você se prepara para o inesperado esperando tudo".
Geralmente, quando tentamos nos preparar para algo, fazemos isso buscando controlar as variáveis (o que gera ansiedade). O Tao, pelo contrário, sugere uma preparação que nasce do desapego: é esvaziar-se com fluidez. Se esperamos um resultado específico, o inesperado nos quebra. Se aceitamos que qualquer coisa pode acontecer, nada nos derruba — apenas nos move.
A "Libido" da Vida
Essa pulsação (a libido no sentido junguiano, como energia vital) é o que nos move a digerir o mundo interno e externo. Sem o inesperado, a vida seria um roteiro monótono — e roteiros monótonos perdem a poesia. A incerteza é, curiosamente, o que mantém a nossa história aberta e viva.
As Polaridades e o Equilíbrio
As nuances e as polaridades (interno/externo, dor/recomeço, expectativa/realidade)...
A filosofia oriental fala muito sobre o Yin e o Yang, e o ideal da fé equivalente traduz bem isso para o nosso cotidiano: cativar virtudes e interagir com equilíbrio no mundo não significa que o mar estará sempre calmo, mas sim que aprendemos a surfar nas ondas do inesperado sem perder o eixo.
O desapegar de nós mesmos toca no ponto central de quase todas as grandes correntes filosóficas e espirituais. O sofrimento geralmente nasce do apego à imagem que criamos de como as coisas deveriam ser. Quando nos desapegamos desse "eu" rígido, assimilamos o amor e a fé não como conceitos abstratos, mas como uma prática pedagógica de vida.
A grande espiritualidade e a alta filosofia não estão isoladas no topo de uma montanha; elas se manifestam na simplicidade do cotidiano. Cativar virtudes — como a paciência para o tempo do florescimento, a flexibilidade para mudar a rota e a coragem para recomeçar — é o que nos dá essas asas. É o que transforma o ato mecânico de viver na vontade de degustar a vida em autorrealização.
Em suma: o inesperado é sempre surpreendente e só assusta quem tenta segurar o vento. Para quem flui com ele, cada surpresa é matéria-prima para a poesia do pão nosso de cada dia.
Que os nossos dias sejam assim: leves, cheios de boas construções e com a sensibilidade afiada para saborear cada nuance!
Com profunda gratidão por ser faísca para esses pensamentos, um fraterno abraço! 🌺
