O Beija-Florir...

 

O Beija-Florir... Do Leito ao Voo: A Alquimia da Suprema Liberdade

Uma síntese das reflexões filosóficas e poéticas

Mergulhar nessas águas e voar nesses pensamentos com estimados poetas revela que o ponto alto é a busca pelo vazio. O poema "Rio" sugere que a paz não é "ter tudo", mas sim "não ter o que atrapalha". Para o rio (e para nós) voltar a correr, é preciso encarar o assoreamento — aquele acúmulo de pedras que deixamos juntar até perder a profundidade.

Mariano nos lembra que a paz não nasce do acúmulo, mas do vazio. O leito assoreado pelas "pedras" exige uma limpeza silenciosa e sem ostentação. Sem essa manutenção do mundo interno, a água para e a vida estagna. Ao purificarmos o leito, criamos o espaço necessário para a Fluidez. As pedras deixam de ser bloqueios e passam a ser detalhes que a água, em sua sabedoria, aprende a contornar. Não há luta, apenas o fluxo.

Dessa fluidez nasce a Confiança: como o pássaro que não teme o galho quebrado porque confia nas próprias asas, a alma que se conhece (como ensinou Espinosa) descobre sua Liberdade Divina. O caminhar torna-se o próprio nutrir do voo, leve como um Beija-Flor.

No fim, a jornada revela sua verdade mais profunda, ecoando Rûmî: a limpeza gera o vazio, o vazio permite o voo, e o voo revela que "o amor abraça tudo". O esforço da limpeza, a paciência do desvio e a audácia do voo são, na verdade, a única expressão da "Suprema Liberdade". Como emana o mantra de George Arundale: "Somente o Amor pode redimir o mundo".


Rio


Cadê o leito do teu rio

As pedras lançadas

Provocam teu estio

Tuas águas paradas?


Por que esta pedra

Por que este rio

A paz não medra 

Se não for vazio


Teu leito assoreado

Precisa de limpeza

E talvez correção


É trabalho pesado

Feito com presteza

E sem ostentação


Mariano 02/03/26