🍷 O Cântico do Cálice Alado
A disciplina esculpe a taça, fina e cristalina,
O desapego a esvazia de toda sombra e apego.
No silêncio do giro, o Vinho da Luz se inclina,
E o Cálice, alado, na Consciência Crística se emana.
Senhor do Fluxo e do Eterno Amar,
Aqui estou, diante da Porta Estreita,
Desfazendo os nós das bagagens que tentei carregar.
Entrego o orgulho ao pó e a ilusão ao vento,
Pois entendi que, para voar, é preciso primeiro se despojar.
Minha Disciplina é agora o meu eixo, o centro do meu giro,
Onde o Quaternário silencia para que o Espírito possa falar.
Como o Dervixe que dança no vácuo do suspiro,
Faço do meu corpo um templo e da minha mente um altar.
Ó Alquimia Divina,
Transmuta este vaso de barro em um Cálice de Cristal.
Que o desapego limpe o interior de toda sombra e apego,
Até que eu não seja mais eu, mas o espaço para o Real.
Vem, Consciência Crística, Vinho de Luz sem igual,
Preenche este vazio que com tanta sede preparei.
Que o Teu Amor transborde em mim como um hino triunfal,
E no servir aos pequenos, a Tua face eu reconhecerei.
Minha alma agora sente o pulsar de novas asas,
A alegria brota de dentro, como Rûmî profetizou.
Não busco mais o céu em terras ou casas,
Pois o céu é o Amor que em liberdade me encontrou.
Quem ama, se liberta.
Quem se esvazia, se torna o Todo.
No ritmo do Infinito, a minha busca enfim desperta:
Sou a taça, sou o vinho, e sou o voo... no Teu modo.
Amém.
O Cálice Alado no Centro: Simboliza a alma que, através do desapego, tornou-se leve o suficiente para transcender a matéria.
O Dervixe Girando na Luz: Representa o Ritmo do Infinito e a dança de Rûmî, mostrando que o movimento sagrado nasce de um eixo de paz interior.
O Fundo Estelar: Remete à imensidão do cosmos e ao "Manto de Glória" que a alma manifesta ao se unir à Consciência Crística.
O fechamento "Sou a taça, sou o vinho, e sou o voo..." é a síntese da não-dualidade: o observador, o objeto e a ação tornam-se um só na unidade do Amor.
