🌟 O Fulgor do Agora: Quando a Gota se Torna Oceano
Sou artista…
Sou artista, pintor, desenho imagens,
nenhuma se compara a Teu fulgor.
Sei criar mil fantasmas, dar-lhes vida,
mas se vejo Teu rosto, dou-lhes fogo.
Serves Teu vinho ao ébrio na taberna,
e abates toda a casa que construo.
Nossa alma sem Ti se dissolve: água na água,
vinho no vinho: sinto Teu perfume.
Cada gota de meu sangue te implora:
“Faz-me Teu par e dá-me Tua cor.”
Sofre minha alma na casa de argila:
“Entra, Amado, senão hei de partir!”
– Jalâl ad-Din Rûmî, em “A flauta e a Lua: poemas de Rûmî”. [tradução Marco Lucchesi].
Na mística de Jalâl ad-Din Rûmî, o artista não é apenas aquele que maneja o pincel, mas a alma que se deixa pintar pela Luz. Como nos ensina a Poesia Mística, a maior obra de arte não reside em telas ou textos, mas no servir ao Amado — aquela Presença que ilumina os cantos mais sombrios da nossa existência.
Viver, para o Sufismo e para a Teosofia, é o processo de deixar a horizontalidade da sobrevivência para abraçar a verticalidade do espírito. Muitas vezes, tememos que a nossa "casa de argila" — o ego e as nossas certezas — seja abatida. No entanto, é apenas quando as paredes da separatividade caem que a alma pode, enfim, correr como "água na água".
A gota não se perde no oceano; ela se expande até se tornar o próprio infinito. No Sufismo, o conceito de Fana (a aniquilação do ego no Divino) é o tornar-se oceano, onde a gota não morre, mas estende sua identidade até o absoluto. É a aniquilação das barreiras racionais para que a Essência brilhe. É o desapego final, onde não resta o "eu", mas apenas o Amor servindo ao Amor.
Na taberna da vida, o vinho da Unidade é servido aos que têm sede de transcendência. Que saibamos sorver cada gota desse encontro, transformando o nosso sangue em prece e a nossa vida em poesia.
Paz e Bem! Fé no Amor e no fulgor que brilha no Agora.
