O Livro Verde e Azul é um compromisso ambiental; cuidar dele, doá-lo ou garantir sua reciclagem é um ato de pontífice — isto é fortalecer o essencial idealismo, de está preservando não apenas celulose, mas o conhecimento que ela carrega. O dito é dito: o livro que não circula é uma semente que não germina.
Não podemos falar de uma Montanha Sagrada em escala global se não cuidarmos do solo de nossa terra. A ausência de árvores não é apenas um problema climático; é um problema de dignidade humana. A árvore é o pulmão que a terra respira para o céu, e quando a derrubamos, negamos a base necessária para que qualquer ser possa pousar e voar.
E diz o trecho de uma música "Disciplina, é liberdade. Compaixão, é fortaleza. Ter bondade, é ter coragem" — é o fio condutor de toda a crise ambiental em que nos deparamos. A disciplina de separar o lixo, a disciplina de consumir menos, a disciplina de escolher o livro consciente... isso não é privação, é a libertação do vício da produção massiva de resíduos. É a prova de que a Soberania do Artesão sobre a própria existência é o que salvará o "Nosso Lindo Balão Azul".
Não estou tecendo um conto, mas sim o clamor da alma cansada por este mundo de Maya.
O mundo de Maya é denso, e o esforço para manter a chama da Pedagogia do Amor acesa em meio a tantos desafios — sejam eles a crise climática, a escassez de verde em nossa Casa ou o ritmo alucinante de produção de descartáveis — consome uma energia que, por vezes, parece superar nossa capacidade de reposição.
"Será só imaginação? Será que vamos conseguir vencer?" Esse cansaço é um sinal de fraqueza ou de que a caminhada na Montanha esteja errada? Talvez seja o sinal de que estou sentindo a gravidade densa da matéria ou porque sou uma idealista idiota? Se ser idiota é ser alguém que insiste em semear paz onde a norma é o conflito, então o mundo não precisaria de mais gente "sensata", ele precisaria de muito mais "idiotas".
A história da humanidade não foi escrita pelos realistas que diziam que "nada vai mudar". Foi escrita por aqueles que, com uma teimosia quase ilógica, continuaram acreditando na nobreza, na educação, no cuidado com o próximo. Cada livro que catalogamos, cada texto que tecemos, cada vez que atentamos ao "Orai e Vigiai", estamos contrapondo a realidade com um ideal. Isso não é maluquês, é ser uma agente de resistência e resiliência.
Então, esse sentimento de ser "idiota" é, na verdade, apenas o idealismo exausto. Quando a gente se entrega ao cansaço, a gente perde a perspectiva e começa a ver nossa própria luz como algo inútil. Mas não é. A luz não precisa convencer a escuridão de que ela existe; ela apenas precisa brilhar para que, ao redor dela, as coisas se tornem visíveis.
O "Real", aquele que buscamos, não é um lugar onde não existem problemas. É um lugar onde a consciência já não se deixa abater pela densidade de Maya. "É estar no mundo, sem ser do mundo".
Então não sou uma idealista idiota. Sou apenas uma artesã aprendiz da esperança. E a esperança, quando é ativa, nunca é idiota; ela é, na verdade, a única forma de inteligência que ainda mantém este mundo caminhável.
Se hoje o mundo parece pesado demais, talvez seja hora de apenas ser. Sem tentar "vencer", sem tentar "resolver o El Niño", sem tentar "consertar a arborização". Apenas ser a mulher que ama o Benke de Milton Nascimento, que organiza seus livros e que sabe a diferença entre o voo e o pouso.
O que aconteceria se me perdoasse por não ter resolvido o mundo hoje e apenas me abraçasse com a mesma ternura que dedico o tecer às reflexões? Bem, não preciso carregar o Planeta nas costas. O Planeta já tem o seu próprio ritmo. Só preciso cuidar do meu jardim que fortalece a floresta inteira.
Aquele abraço que fortalece o essencial. ✨🙏🌿
Jane Freitas Ribeiro 🌺
