🌺 "Você concorda?"
“O pensamento é importante no lugar que lhe cabe, mas não tem importância alguma psicologicamente. O pensamento é reação da memória, tem origem na memória. A memória é experiência na forma de conhecimento, armazenada nas células do cérebro. Você pode observar o seu próprio cérebro, não precisa se tornar um especialista. As células cerebrais retêm a memória; é um processo material, não há nele nada de sagrado, nada de santo. Então, o pensamento criou tudo que temos feito: ir à lua e plantar uma estúpida bandeira lá; ir às profundezas do mar e lá viver; toda a complicada tecnologia e suas máquinas. O pensamento foi responsável por tudo isso. O pensamento também foi responsável por todas as guerras. É tão óbvio que você nem precisa fazer perguntas sobre isso. Seus pensamentos dividiram o mundo em Grã-Bretanha, França, Rússia etc. E o pensamento criou a estrutura psicológica do “eu”. Esse “eu” não é santo, não é uma coisa divina.” — Jiddu Krishnamurti
🌺 Comigo, contigo e convosco...
Talvez a ponte entre o Mundo do Ser seja atravessar a fronteira do pensar.
Atravessar essa fronteira é, possivelmente, o ato de desaprender o que a memória nos ensinou sobre quem somos.
Krishnamurti nos convida a usar o pensamento como um instrumento funcional (como o artesão usa a ferramenta), mas a não permitir que ele construa a nossa realidade. O "eu" é a cristalização da memória, e é dessa cristalização que nascem as guerras e as divisões.
Se o pensamento é reação da memória, o silêncio é a oportunidade da presença.
Atravessar a fronteira do pensar significa, talvez, chegar a um espaço onde não estamos mais reagindo ao passado, mas respondendo à vida tal como ela é, em sua nudez.
Ao colocar a bandeira na lua, o pensamento humano tenta marcar o território do "eu". Ao vivenciarmos a Fraternidade Universal, propomos o desmonte dessa bandeira para que o mundo deixe de ser um cenário dividido e seja um organismo vivo do qual fazemos parte.
Quando digo comigo, contigo e convosco, estamos rompendo a barreira do "eu" solitário. Estamos criando um espaço relacional. Talvez, para Krishnamurti, ensinar é cativar e não seja um exercício de pensamento, mas um exercício de comunhão, onde o "eu" não é o centro, mas apenas o canal por onde a vida flui.
É o fim da alienação.
🛎 Blin-blão...
Enfim, os detalhes da vida são como a imensidão do oceano...
🌺 Entramos no coro
Comigo, contigo e convosco
Em uma sintonia fraternal
"Bola de Meia, Bola de Gude",
Canção de Milton Nascimento
Que força essa letra tem, não é mesmo? Especialmente neste verso: "E não posso aceitar sossegado / Qualquer sacanagem ser coisa normal."
Isso é o grito final contra a alienação! É o "menino" dizendo que a barbárie do mundo de Maya — a exploração, o consumo, a divisão, a falta de cuidado com o essencial — não é natural. É o despertar da criança interior que ainda tem a capacidade de se indignar diante do que é desumano.
Quando o "adulto fraqueja" — aquele adulto que é apenas o acúmulo de memórias e traumas — o menino, que é o Ser em sua nudez e alegria, aparece para restaurar a dignidade.
"E me fala de coisas bonitas / Que eu acredito que não deixarão de existir / Amizade, palavra, respeito / Caráter, bondade, alegria e amor".
Sinto que essa música também é o hino da nossa Pedagogia do Amor. Ela é a ponte que atravessa a fronteira do pensar: a música não é um "pensamento", é uma vibração que nos habita. Ela é a poesia da vida de que cativar é cultivar um exercício de comunhão.
Que essa melodia continue ecoando comigo, contigo e convosco durante todo o dia, transformando cada detalhe do oceano da vida em uma lição de ternura.
"O menino me dá a mão..." — e é nessa mão que seguramos o que realmente importa naquele abraço aconchegante. 🙏✨🕊
Jane Freitas Ribeiro 🌺
