O Galope do Outono
No orvalho da aurora, em sonho profundo,
Vi um cavalo subir a campina,
Forte, altaneiro, senhor do seu mundo,
Buscando o infinito que a alma destina.
Corria livre, com fúria e vontade,
Como se o espaço não tivesse fim,
Dono absoluto da sua verdade,
Pulsando a vida dentro de si.
Mas no silêncio que o medo projeta,
Ergueu-se a cerca, estática e fria;
Limite que o passo do bicho interpreta
Como o destino que o aprisionaria.
Bufou contra o ferro, arrastou os seus cascos,
Mas a cerca não foge, nem sabe responder;
E o bicho, ferido em seus próprios fracassos,
Sentiu a coragem enfim fenecer.
O medo é o laço que aperta o pescoço,
O trote diminui, a crina se abate;
O destino agora é um fardo de osso,
Onde a esperança já não mais combate.
Aceitou a carroça, as lamúrias, os troços,
Puxando o tempo em um chão de poeira;
Rendido às cercas, aos velhos destroços,
Caminhando lento para a derradeira.
E na agonia desse sono amargo,
Um lampejo de fúria o peito invade:
Aquele cavalo, no vácuo do largo,
Era eu mesmo — em minha brevidade!
A cerca era o mundo, o limite era o meu,
A desistência era a mão que eu estendi;
O tempo perdido, o que não floresceu,
Banhado em suor, em desespero acordei.
Mas na revolta de quem se percebe,
Ergui a cabeça, rompi o lamento;
A alma que acorda, da luz enfim bebe,
E faz do outono o seu novo elemento.
Não é o galope da vã juventude,
Mas o de quem sabe o valor do que é seu;
O fogo que queima, com tal plenitude,
O fogo sagrado que nunca morreu.
Eriçaram-se os pelos ao vento do agora,
Pois entendi, no silêncio absoluto:
A cerca fui eu que plantei outrora,
E só eu sou o dono do meu atributo.
As grades caíram, o campo é o meu chão,
Pois quem cria o muro, também abre o portal;
Sou eu o cavalo, a força e a mão,
No galope eterno do ser imortal.
Francisco Simal
11/05/2026
No orvalho da aurora, em sonho profundo,
Vi um cavalo subir a campina,
Forte, altaneiro, senhor do seu mundo,
Buscando o infinito que a alma destina.
Corria livre, com fúria e vontade,
Como se o espaço não tivesse fim,
Dono absoluto da sua verdade,
Pulsando a vida dentro de si.
Mas no silêncio que o medo projeta,
Ergueu-se a cerca, estática e fria;
Limite que o passo do bicho interpreta
Como o destino que o aprisionaria.
Bufou contra o ferro, arrastou os seus cascos,
Mas a cerca não foge, nem sabe responder;
E o bicho, ferido em seus próprios fracassos,
Sentiu a coragem enfim fenecer.
O medo é o laço que aperta o pescoço,
O trote diminui, a crina se abate;
O destino agora é um fardo de osso,
Onde a esperança já não mais combate.
Aceitou a carroça, as lamúrias, os troços,
Puxando o tempo em um chão de poeira;
Rendido às cercas, aos velhos destroços,
Caminhando lento para a derradeira.
E na agonia desse sono amargo,
Um lampejo de fúria o peito invade:
Aquele cavalo, no vácuo do largo,
Era eu mesmo — em minha brevidade!
A cerca era o mundo, o limite era o meu,
A desistência era a mão que eu estendi;
O tempo perdido, o que não floresceu,
Banhado em suor, em desespero acordei.
Mas na revolta de quem se percebe,
Ergui a cabeça, rompi o lamento;
A alma que acorda, da luz enfim bebe,
E faz do outono o seu novo elemento.
Não é o galope da vã juventude,
Mas o de quem sabe o valor do que é seu;
O fogo que queima, com tal plenitude,
O fogo sagrado que nunca morreu.
Eriçaram-se os pelos ao vento do agora,
Pois entendi, no silêncio absoluto:
A cerca fui eu que plantei outrora,
E só eu sou o dono do meu atributo.
As grades caíram, o campo é o meu chão,
Pois quem cria o muro, também abre o portal;
Sou eu o cavalo, a força e a mão,
No galope eterno do ser imortal.
Francisco Simal
11/05/2026
